O autor belga Conscience ensinou o povo do seu país a ler.

Descheemaecker ensinou o povo do seu país a realizar provas de pombos.

Leitura de 20 minutos - por Joseph Descheemaecker

Em novembro de 1936, os irmãos Noël e Robert Descheemaecker fundaram a empresa Natural. O fascínio dos irmãos pela columbofilia era tão grande que a Natural se tornou a obra das suas vidas. Noël Descheemaecker manteve a paixão e o envolvimento na columbofilia até aos 92 anos de idade.

Quando os seus filhos Joseph e Noël Jr. assumiram a liderança da empresa, Noël continuou a acompanhar o negócio e a partilhar da satisfação dos seus êxitos. A geração mais jovem apenas tinha um objetivo, e não poupava esforços nem olhava a despesas para atingi-lo: criar produtos de qualidade para a columbofilia. Os produtos Natural são bem conhecidos em mais de 55 países de todo o mundo. O filho de Joseph, Stephan Descheemaecker, representou a terceira geração a assumir o comando. Este percurso bem conhecido foi novamente trilhado com uma nova ambição. Uma novíssima unidade de produção ultramoderna de misturas de grãos permite garantir e manter uma excelente qualidade. No Centro de Columbofilia Descheemaecker, Stephan Descheemaecker concentra-se nos Pombos de Elite: pombos com um pedigree excecional. A já longa colaboração com a China também alcançou uma dimensão totalmente nova.

Não há dúvida de que a história de Descheemaecker faz parte da herança da columbofilia, por isso vale mesmo a pena contá-la.

O primeiro pombal dos irmãos Noël e Robert Descheemaecker em Wilrijk (Antuérpia). Foi construído em 1927 no telhado da imprensa do seu pai.

Novembro de 1930.

O pai de Noëls e Roberts tinha um pequeno negócio de impressão em Wilrijk. Por partilharem o mesmo interesse e paixão, os irmãos decidiram publicar uma revista, "Het Duivensport [Columbofilia]", em novembro de 1930. Foram impressas vinte e cinco cópias de amostra, que foram entregues a amigos e pessoas conhecidas juntamente com um pedido de opinião. Tratava-se de uma revista simples e sem anúncios, apenas com artigos escritos com base na experiência.

O conteúdo era constituído por contribuições de amigos columbófilos entusiastas, que participavam em provas de pombos ao mais alto nível. A revista teve um enorme sucesso logo desde o início, com a impressão de 50.000 cópias.

Ficou popularizado como «livrete verde», graças à sua capa verde. A revista era entregue localmente e disponibilizada em todos os clubes, e tinha uma base de leitores calculada em 240 mil.

A versão francesa, “Le Sport Colombophile”, era igualmente popular na Valónia. A esposa de Noël Descheemaecker tinha nascido na Valónia, por isso sabia como obter contactos desta parte do país.

Subitamente, não havia mãos a medir no trabalho de impressão, sendo necessário trabalhar dia e noite para imprimir e distribuir a revista.

Em 1938 foi construído um grande pombal no jardim de Noël Descheemaecker, em Schoten, tendo por base o modelo de pombal do campeão da Valónia, Georges Fabry (Liège).

O pombo era o cavalo de corrida dos pobres.

Luik era já o berço da columbofilia desde o século XIX. A columbofilia foi encarada pelo público mais abastado como um desporto à parte, uma atividade para pessoas pobres. Em quase todos os países vizinhos, a columbofilia ganhou protagonismo nas regiões de mineração de carvão: no Norte de Pas-De-Calais, em França, na Área do Ruhr, na Alemanha, em Blackpool, na Inglaterra, e em Katowice, na Polónia. O pombo tornou-se o cavalo de corrida dos pobres. Os trabalhadores não tinham dinheiro para viajar, por isso os pombos eram praticamente a sua única forma de entretenimento.

Trabalhavam seis dias por semana, pelo que não havia tempo para fazer corridas de pombos de longa distância. Nessa época, a columbofilia era um desporto limitado à «velocidade pura», voos de 250 quilómetros. Aos sábados, as pessoas paravam de trabalhar às 16 horas. Os pombos eram lançados e os seus donos iam relaxar para o clube. Os pombos eram encestados aos sábados. A maioria dos voos tinha um limite de 100 quilómetros; por isso, se o vento estivesse favorável, os pombos voltavam a casa uma hora e um quarto depois de serem lançados nos domingos. Nos domingos de manhã, no clube, utilizava-se um relógio para realizar o registo dos pombos à medida que chegavam a casa no fim do voo. O pombo que fizesse o voo mais rápido entre o ponto de lançamento e o pombal de chegada seria o vencedor.

Em alguns casos, uma única aldeia tinha vários clubes de columbofilia, dependendo das inclinações políticas dos membros. Estes clubes também tinham uma localização específica: um a norte, sul, leste e oeste por cada (quiló)metro contado, em função da localização do pombal de chegada em relação ao local de lançamento.

Primeiro logótipo em 1930.

De advogado a comerciante.

Acabou por ser natural que Noël e Robert também praticassem columbofilia no clube De Zwaluw em Wilrijk. Aprenderam os truques do ofício com Gust De Feyter, um amigo e colega columbófilo. A determinada altura entraram em contacto com Evrard Havenith, um conhecido columbófilo de Antuérpia, que lhes vendeu uma saca de favinha da melhor qualidade. Este acontecimento despertou-lhes o interesse pelo alimento para pombos-correio, que acabou por ser, mais tarde, um importante parâmetro de sucesso. Por conseguinte, todo o conteúdo de uma edição da revista foi dedicado à importância das misturas de grãos de qualidade especificamente para os pombos. Entretanto, a revista permitira obter alguns lucros consideráveis, e começou a tomar forma a ideia de criar um negócio de produção de alimento para pombos. Noël Descheemaecker iniciara já atividade enquanto advogado, mas abdicou da toga para dedicar o tempo à sua paixão.

Os irmãos compraram uma parcela de terreno e construíram uma instalação de produção. Compraram uma carrinha usada e, em novembro de 1936, nasceu a empresa Natural Granen – Gebr. Descheemaecker NV. Nessa altura apenas estavam disponíveis quatro misturas: reprodução, desporto, muda e inverno. Inicialmente, estas misturas eram disponibilizadas em sacas de 25 kg mas, para responder às exigências dos columbófilos, mudaram para sacas de 5 e 10 kg.

Eram os próprios irmãos que levavam as sacas até ao moinho, aos comerciantes e aos clubes mais próximos, que, por sua vez, as vendiam aos columbófilos.

O negócio correu extraordinariamente bem desde o início. O sucesso deveu-se parcialmente à revista «Het Duivensport». Os irmãos alcançaram bons resultados na columbofilia e usaram a experiência adquirida para escrever artigos com os quais os outros columbófilos pudessem aprender. Além disso, Noël tinha a vantagem da sua educação universitária, claro. O seu pai insistira que tirasse um curso de direito e, só depois, se dedicasse inteiramente à columbofilia. No último ano dos seus estudos, Noël quase nunca comparecia nas aulas porque tinha demasiado trabalho para fazer com os seus pombos. Quando aparecia nas aulas, o professor declarava: «Ora, ora, o famoso columbófilo honra-nos novamente com a sua presença!».

Foi nesta época que surgiu o ditado popular «Conscience ensinou o povo do seu país a ler; Descheemaecker ensinou o povo do seu país a realizar provas de pombos».

O «Het Duivensport», publicado em 1930 pelos irmãos Descheemaecker, tinha mais de 40.000 leitores em 1939. «Le Sport Colombophile» é o nome da edição em língua francesa do «Het Duivensport». Ambas as publicações são as revistas de columbofilia mais lidas na Bélgica há mais de 90 anos.

Columbofilia e jogo

Já que a columbofilia era a corrida de cavalos dos pobres, acabou por ser natural que as pessoas fizessem apostas nos pombos. Os irmãos ganharam muito dinheiro com seus pombos desde o início. Noël Descheemaecker conseguiu mesmo financiar os seus estudos desta forma.

Nesse tempo apenas era permitido realizar corridas de pombos quando a câmara municipal estava aberta. Era uma regra estranha mas também uma forma de fechar os olhos ao facto de haver apostas nos pombos.

Apostava-se muito dinheiro nos voos longos. O clube recebia um por cento do valor da aposta e, desta forma, viabilizou-se o crescimento da columbofilia.

A maioria das apostas eram feitas em Liège. Nesta cidade era possível registar um pombo em vários clubes para aumentar a probabilidade de ganhar lucros. O período de 1830 a 1840 assistiu ao pico da columbofilia. Os columbófilos levavam os pombos às costas da Flandres até Liège para participarem nas provas. O lançamento dos pombos era um evento que atraía grandes multidões nessa época.

«De Kaers»: em 1932, os irmãos Descheemaecker compraram um pombo macho jovem ao seu amigo Havenith 6136542-32. Foi batizado como «De Kaers». Durante sete anos, «De Kaers» foi um dos melhores pombos de média distância na província da Antuérpia. Terminou a sua carreira desportiva em 1939, depois de vencer o primeiro prémio de Orléans (400 km) na União de Antuérpia, também conhecida como escola secundária da columbofilia belga.

«Kaers».

Os irmãos não compraram só uma saca de favinha de qualidade ao famoso Evrard Havenith (o que levou diretamente à produção de misturas para pombos), compraram também um pombo vencedor chamado «Kaers». Foi-lhe dado este nome em homenagem ao ciclista Karel Kaers, que alcançou grande sucesso na década de 1930 e, em 1934, se tornou campeão do mundo em ciclismo de pista.

Na revista «Het Duivensport», Kaers assumiu o papel principal nos artigos escritos por Noël Descheemaecker. Estes artigos revelaram o segredo dos grandes desempenhos desta pomba vencedora: «fugir da multidão logo no início da corrida».

Durante o seu treino, os irmãos não deixavam que Kaers voasse juntamente com os pombos da região. Ensinaram-na antes a voar sozinha. Há uma grande vantagem em ensinar um pombo a abandonar o grupo e a escolher a direção certa. A essência é ensinar os pombos a navegar de forma independente.

Um dia, os irmãos Descheemaecker foram desafiados, enquanto jovens, a participar com Kaers no De Zwaluw, um clube extremamente competitivo. Kaers ganhou imediatamente o primeiro prémio.

Pombos-correio belgas em cativeiro num grande aviário durante a guerra.
No passado, o pombo-correio desempenhou um papel muito importante no exército enquanto mensageiro.

Segunda Guerra Mundial

Para Noël e Robert, a columbofilia não se limitava à Bélgica. O seu nome e a sua fama ultrapassaram as fronteiras. No final da década de 1930, foram convidados para muitas feiras internacionais de pombos para partilharem a sua experiência e avaliarem pombos.

Numa feira de pombos em Colónia, na Alemanha, os irmãos receberam o cartão de visita de um general alemão. A suástica incluída no cartão teria mais tarde um papel decisivo para os pombos belgas.

Um soldado alemão numa missão com pombos às costas.

1940: o início da Segunda Guerra Mundial.

Nos países ocupados pela Alemanha tornou-se obrigatório abater todos os pombos, uma vez que poderiam ser usados para efeitos de espionagem. Era uma prática já conhecida desde a Revolução Francesa, e na Primeira Guerra Mundial os pombos foram mesmo considerados soldados.

Noël e ​​Robert queriam fazer tudo o que pudessem para impedir que os seus pombos e os pombos dos columbófilos belgas fossem abatidos. Pediram ajuda ao general alemão que conheceram em Colónia antes da Guerra. Este general era columbófilo de alma e coração, e apresentou uma solução. Autorizou a transferência dos pombos belgas para pombais especiais em Bruxelas, onde permaneceram exilados até ao final da Guerra. Não houve provas de pombos durante a Guerra, tendo a Associação Belga de Columbofilia assumido o seu tratamento. A venda de misturas de grãos foi suspensa e, infelizmente, uma grande parte da fábrica da Natural foi destruída por uma bomba V2.

No entanto, a ação eficiente dos irmãos deu frutos, já que os pombos dos columbófilos puderam voltar imediatamente às provas no final da Guerra. Os pombos belgas tinham sobrevivido à Guerra.

«Het Duivensport» passou a «De Duivensport» em 1967 (nova ortografia).

Duifke Lacht ...

Logo após a Guerra, a columbofilia belga foi retomada em toda a sua glória. Durante o auge mais recente da columbofilia belga (ou seja, em 1948), os irmãos lançaram uma nova revista no mercado: «Duifke Lacht [Rola-do-Senegal]». Era uma revista de conteúdo ligeiro, orientada puramente para a publicidade com o objetivo de promover as misturas de grãos Natural.

«Duifke Lacht» era publicada quinzenalmente. A publicidade era alternada com factos divertidos, anedotas e desenhos. A circulação subia cada vez mais e as encomendas continuavam a chegar. A publicação de cortesia «Kom, Kom» [Venha, Venha]» era enviada aos columbófilos que não eram assinantes. «Kom, Kom» era um panfleto de publicidade que incluía apenas um artigo sobre columbofilia, sendo que o resto do conteúdo era publicidade às misturas de grãos Natural, e depois foi criada também uma série de «produtos complementares» da Natural.

Em 1967, as duas revistas, «Het Duivensport» e «Duifke Lacht», foram unidas numa só publicação, a «Duifke Lacht»: material de leitura para 150.000 columbófilos.

Atualmente, a «Duifke Lacht» é ainda uma publicação extremamente popular.

Em 1949, os irmãos Descheemaecker introduziram no mercado o relógio de temporização de provas «Heirman», inventado por Edgard Heirman.

Relógios de columbofilia

A columbofilia e os relógios de columbofilia («constateurs») são duas variáveis ​inextricáveis. Os irmãos Descheemaecker reconheceram esta noção desde cedo.

Durante a época de provas de 1949, Edgar Heirman, um conhecido relojoeiro, deslocou-se ao clube. Ali ficou a saber que alguns columbófilos tinham perdido uma corrida porque o seu relógio parara. Edgar era também um columbófilo, e considerou inaceitável que se pudesse perder uma corrida pudesse por causa de um relógio a funcionar mal. Foi então que decidiu conceber um «verdadeiro» relógio para columbofilia, o «constateur». Edgar construiu o constateur «Heirman», que logo agradou muito aos columbófilos. Edgar desenvolvera um mecanismo que conseguia registar a hora de chegada com precisão e fiabilidade. O aparelho tinha apenas 12 por 25 cm. Em colaboração com os irmãos Descheemaeker, foram produzidas muitas unidades destes constateurs Heirman em Chaux-de-Fonds, uma cidade suíça conhecida pela sua indústria relojoeira. A produção foi apoiada financeiramente por subsídios do governo suíço. Foram vendidos mais de 16.000 relógios Heirman. Nesse tempo, os Heirman eram os Rolls-Royce dos relógios de columbofilia. Podiam inclusivamente ser deixados durante 50 anos dentro de um armário e, quando lhe voltasse a ser dada corda, funcionariam novamente com precisão. Na altura, o Heirman era único no mundo dos constateurs. Um relógio bastante dispendioso mas que incluía o mecanismo mais avançado e a melhor qualidade suíça.

No entanto, também os relógios de columbofilia têm de evoluir com os tempos.

Em 1952, surgiu no mercado o «Junior». Tinha uma conceção revolucionária e foram vendidas mais de 300.000 unidades. Foi fundada a empresa «Junior» e a sua direção foi atribuída a Frans Descheemaecker, o filho mais velho de Noël. Mais tarde, um filho de Frans introduziu no mercado um relógio de quartzo eletrónico. As vendas afundaram para as 10 mil unidades, uma vez que havia já uma grande concorrência e estavam disponíveis melhores relógios eletrónicos. A empresa foi vendida.

Pode-se afirmar que os Irmãos Descheemaecker também estabeleceram a base para todos os aspetos dos constateurs.

Os irmãos Descheemaecker à frente de um aviário na Exploração de Criação.

A Exploração de Criação

A Natural era uma empresa estável que produzia misturas de grãos e uma série de excelentes produtos secundários: brita, minerais, chá, levedura de cerveja, eletrólitos, talos de tabaco, grânulos de piso, ... .

A revista "Duifke Lacht" era também um êxito. Os irmãos mantiveram sempre o foco do seu instinto comercial. Mas faltava algo no esquema geral: pombos. Em 1955 foi construída uma exploração de criação em Zoersel. Encontraram aqui abrigo pombos de criação de todas as raças conhecidas.

Mas como é que se encontrariam clientes para todos estes pombos criados?

Os irmãos tiveram novamente uma ideia inteligente. Compre uma saca de mistura de grãos e ganhe um vale. Cada 250 kg comprados permitiam acumular vales suficientes para trocar por um pombo. A «Duifke Lacht» foi a forma de informar todos os columbófilos, e as encomendas começaram em breve. Não foi preciso esperar muito até se tornar um sucesso, e foi necessário construir mais pombais para responder à procura.

Os proprietários de pombos começaram a perguntar se podiam visitar a fábrica da e a Exploração de Criação da Natural. Tais pedidos inspiraram os irmãos a organizar 12 semanas de dias abertos aos domingos. Os clubes de columbofilia organizaram autocarros para os seus membros, criando uma excursão de um dia inteiro.

A manhã era passada a visitar o mercado de pombos em Lier, depois era a vez da fábrica e, à tarde, os visitantes podiam observar os pombos de criação na Exploração de Criação. O dia terminava com uma cerveja Trapista na sala de receção da Exploração de Criação. Um domingo com 70 autocarros estacionados não era algo excecional.

A Exploração de Criação da Natural é simplesmente única no pequeno mundo da columbofilia.

A Exploração de Criação da Natural.

O mundo chama.

Em 1970, dois filhos de Noël Descheemaecker, Joseph e Noël Jr., assumiram a liderança da empresa. Foi construída uma fábrica nova e moderna em Schoten exclusivamente para produção de misturas de grãos para pombos.

Os irmãos Descheemaecker tinham ganho nome e fama não só na Columbofilia belga como também noutros países. Eram muitos os estrangeiros que vinham aos dias abertos na Exploração de Criação para conhecer o fenómeno Descheemaecker. Os países vizinhos da França, Holanda e Alemanha tinham um interesse especial nas misturas de grãos, nos produtos complementares e nos pombos Descheemaecker.

Joseph e Noël Jr. compreenderam rapidamente que era necessário explorar a expansão internacional do negócio.

Em 1966, a Natural Granen alugou um espaço na Exposição Nacional na Alemanha. Contratou à fábrica de autocarros Van Hool um fantástico stand com vários compartimentos e um expositor especial, para apresentar as misturas de grãos. Nunca se tinha visto algo assim numa feira de columbofilia, e as anfitriãs, com as suas minissaias prateadas, podem ter tido algo a ver com o fenómeno. A Natural Granen foi a primeira a fazer algo deste género de forma profissional, e tornou-se a criadora de tendências nas feiras de columbofilia.

A estratégia de trocar um pombo de pedigree por um conjunto de vales colecionados também foi aplicada na Alemanha, que demonstrou ser um mercado particularmente interessante e ao qual Joseph e Noël Jr. se viriam a dedicar inteiramente.

Alguns dos produtos complementares da Natural conhecidos em todo o mundo.

O tiro de partida fora disparado.

O stand da Natural Granen era o centro das atenções em todas as principais feiras e Olimpíadas. Em 1981, a Olimpíada foi realizada em Tóquio, um evento que abriu a porta ao Extremo Oriente. A Bélgica foi e continua a ser o berço da columbofilia. A Natural Granen era conhecida mundialmente como empresa de confiança devido às suas misturas de grãos, revistas e publicações, produtos complementares e pombos da Exploração de Criação. O nome Descheemaecker abria portas.

A Natural Granen cresceu exponencialmente.

Não demorou muito até a Natural Granen começar a exportar para 55 países e tornar-se a líder clara do mercado na maioria deles.

O expositor da Natural Granen na Langfang 2017.

Para além da columbofilia.

Em 1988, Joseph e Noël Jr. compraram uma fábrica de ovoprodutos, e uma fábrica de sementes para pássaros em 1989. A pensar no futuro, desviaram-se pela primeira vez do seu percurso conhecido: «apenas columbofilia».

A Haspeslagh, uma empresa especializada em equipamentos para pombos-correio, foi comprada em 2016.

Em agosto de 1996 foi realizada a primeira viagem de negócios à China. Dois anos mais tarde, abriu a primeira loja da Natural em Xangai. Com um potencial de 300.000 columbófilos, a China não é apenas um grande mercado, mas também um grande desafio comercial. Juntamente com o seu parceiro de Taiwan, o Dr. Max Yang, médico veterinário e columbófilo inveterado, Joseph e Noël Jr. decidiram conquistar o mercado asiático. Por iniciativa do Dr. Max Yang, a Natural desenvolveu toda uma gama de medicamentos para pombos-correio, destinada exclusivamente ao mercado asiático. A Haspeslagh-Natural é atualmente a maior fornecedora de equipamento para pombos-correio. E a Natural China está a tornar-se uma marca de grande relevância na columbofilia asiática.

A terceira geração: Stephan Descheemaecker.

A terceira geração de Descheemaeckers

Em 1996, Stephan, filho de Joseph Descheemaecker, começou a trabalhar na companhia do seu pai e do seu avô. No seu último ano na universidade, Stephan realizou estágios na fábrica e no estrangeiro para aprender os truques do ofício. Nestes estágios foram realizados debates regulares sobre a importância do milho Cribbs. Este milho é cultivado em França e seca naturalmente. Este milho de secagem natural apresenta uma capacidade de germinação muito alta e começou a ser usado desde cedo em todas as misturas da Natural.

A Natural Granen é líder no setor do milho Cribbs francês desde a década 1960.

A Exploração de Criação da Natural é também um centro de testes onde os novos produtos são cuidadosamente testados antes de serem lançados no mercado.

Em 2016, Stephan Descheemaecker criou uma fábrica inteiramente nova em Schoten, com um processo de produção ultramoderno e controlado por computador que permite ajustar as misturas com uma precisão ainda mais elevada aos requisitos dos columbófilos nacionais e internacionais.

Elite da Natural: pombos premiados e com as linhagens mais prestigiadas.

Pombais Elite

Apesar do declínio no interesse pela columbofilia, o negócio da Natural Granen continua a florescer tanto ao nível nacional como internacional. No entanto, Stephan Descheemaecker sente que deve tomar medidas para garantir que a columbofilia belga não morrerá como «desporto para homens pequenos e velhinhos».

Em 2008 foi contratado um consultor externo para avaliar, juntamente com o Conselho de Administração, o futuro da Exploração de Criação. As opiniões dividiram-se, uma vez que a Exploração de Criação requer uma mão-de-obra intensiva e os valores anuais não são muito encorajadores. Será que a Exploração de Criação deve ser fechada para subdividir o terreno, ou será melhor expandi-la? O facto é que, ao longo dos anos, a Exploração de Criação foi fortemente associada à filosofia da empresa e à columbofilia de uma forma geral. O consultor apresentou a ideia de que Descheemaecker tinha uma potencial mina de ouro nas mãos, embora fosse urgentemente necessária uma mudança de estratégia.

Em 2014, foram construídos os «Pombais de Elite». Um alojamento com tecnologia de ponta e habitado por pombos premiados e das linhagens mais prestigiadas.

Criando um contraste com os pombos jovens clássicos da Exploração de Criação, eram agora disponibilizados pombos mais caros e com pedigrees impressionantes. Nos Pombais de Elite, os pombos recebem os melhores cuidados para se desenvolverem e se tornarem «verdadeiros vencedores».

A nova estratégia funcionou e, em 2016, a Exploração de Criação alcançou o maior volume de negócios da sua história. Os verdadeiros columbófilos adoram ter um pombo da linhagem certa por um preço adequado, e estes pombos estão agora à venda na Exploração de Criação.

Em 2016, Stephan também criou uma Exploração de Criação de Pombos de Elite na China. Os Pombais de Elite são habitados por 750 pombos. Ainda não foi vendido nenhum, mas participam em provas de voo de pombal único, que permitem ganhar valores elevados. Um caminho novo e interessante.

O dinheiro do prémio destas provas de pombal único chega a alcançar os milhões. A colaboração pode mesmo vir a dar à columbofilia belga um impulso substancial. Os chineses encaram esta situação como uma oportunidade e estão ansiosos por ver esta colaboração na prática.

A columbofilia está atualmente a evoluir de um desporto de idosos para um passatempo profissional. São cada vez mais os clubes, amigos, etc. que se reúnem para realizar provas de pombos-correio. Se optar por um pombal de combinação com múltiplos proprietários, poderá tirar facilmente um fim de semana ocasional de folga, desde que sejam feitos os preparativos necessários.

A columbofilia moderna oferece muitas oportunidades únicas.

De acordo com Stephan Descheemaecker, a columbofilia é o mais belo hobby que existe para pessoas com mais de 55 anos de idade. Permanecem mental e fisicamente ativas. O contacto social mantém a perspicácia da sua mente.

De que mais precisa uma pessoa...?

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